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BETO TATTOO

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Copacabana

 Rio de Janeiro

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Brasil

Os índios já se tatuavam antes da chegada dos portugueses, em 1.500. E o costume sobrevive até hoje em algumas tribos no Brasil. Os Tupinambá faziam tatuagem nos guerreiros que capturavam inimigos. A pintura corporal é bastante valorizada dentro da cultura indígena. Entre cerca de 200 etnias que vivem no território brasileiro, há grande variedades de desenhos. Mas são poucos os índios que praticam a tatuagem definitiva, aquela em que a tinta é perfurada na pele, uma marca tribal para caracterizar os indivíduos de um mesmo povo. Um exemplo conhecido de índios tatuados são os Karajá, da Ilha do Bananal, que tatuam círculos nas faces e que rodaram o mundo na capa do cd ROOTS DO SEPULTURA! SEPULTURA! Mas o mais complexo exemplo da tatuagem tribal brasileira são os índios artistas da tribo Kadiwéu, que vivem na fronteira do Brasil com o Paraguai e que são famosos pela arte refinada de seus desenhos geométricos. Os Kadiwéu são os remanescentes da Nação Guaikuru, dos temíveis índios cavaleiros que dominavam toda a região e resistiram á colonização por séculos. Os desenhos faciais e corporais destes guerreiros fascinaram muitos exploradores. O jesuíta José Sanches Labrador conviveu com os Guaikuru em 1.760 e escreveu como eram feitas as tatuagens na época. A pele era furada com espinho até escorrer o sangue, quando colocavam cinzas de folhas de uma palmeira ou a tinta do jenipapo. Antes da cicatrização, o ferimento inchava e o tatuado sentia muitas dores, até cair a casca preta e o desenho ficar azulado. As tatuagens eram feitas entre 14 e 16 anos, quando o jovem já tinha forças para suportar o sofrimento. Os desenhois eram exibidos com vaidade e como prova de coragem. No final do século passado, o artista plástico italiano Guido Boggiani viveu entre os Kadiwéu e foi quem mais retratou as pinturas corporais; primeiro, em desenhos, e depois em 400 fotografia. Ele comparava os motivos da arte Kadiwéu aos moldes clássicos da civilização européia. Em seu livro "Os Caduveos", ele publicou os primeiros desenhos, com destaque para as mulheres com pinturas no rosto, e escreveu sobre as tatuagens. "As mulheres Mbaya, como as Guaicuru, talvez na época da puberdade, se tatuavam com um espinho e coloriam a tatuagem com jenipapo. Formavam quadrinhos sobre as faces e as linhas da fronte, da raiz dos cabelos ás sobrancelhas. As mulheres e as filhas dos chefes realizavam, com o mesmo sistema, desenhos quadrangulares sobre os braços, operação esta que lhes causava dores agudíssimas". Lévi-Strauss, no livro "Tristes Trópicos", explica que a tatuagem era usada para diferenciar as classes sociais, divididas em nobreza, guerreiros e escravos ou plebeus. "Os nobres ostentavam sua posição pormeio de pinturas corporais feitas com moldes (espécie de carimbos) ou por meio de tatuagens, que eram equivalentes a um brasão", escreveu ele. Esses carimbos de madeira eram esculpidos em relevo, com vários padrões de desenho. Haviam também moldes de couro para estampar, no corpo, figuras de sol e estrelas. As tatuagens indeleveis eram feitas nas faces das mulheres plebéias, principalmente nos lábios inferiores e queixo. Ja as mulheres dos chefes ou líderes tatuavam os braços, desde o ombro até o punho, com quadrados e triângulos, os sinais de nobreza. A explicação dos Kadiwéu para os desenhos no corpo era que se pintavam porque não eram bichos e porque a pintura era feita para diferenciar o homem do animal e do estado bruto da natureza. Um outro motivo para as pinturas corporais, apontado por Lévi-Strauss, é erótico: "Esses contornos delicados e sutis, tão sensíveis quanto as linhas do rosto e que ora as traem,conferem ás mulheres algo deliciosamente provocante". A preocupação com a aparência fazia com que depilassem as sobrancelhas e todos os pelos do rosto, até os cílios. Além disso, havia também o costume de limar a ponta dos dentes incisivos. Os homens furavam as orelhas e o lábio inferior A variedade de estilos dos desenhos abstratos fez o antrópologo Darci Ribeiro classificar os padrões de pintura de rosto e de corpo dos Kadiwéu como a mais elaborada manifestção artística dos índios americanos. As melhores artistas desta tribo eram as mulheres mais velhas, que eram reverenciadas pela comunidade. Mas Ribeiro constatou que os grandes mestres no domínio dos desenhos eram os antigos Kudina, homens que assumiam papéis de mulheres. As pinturas que saíam da pele, com o tempo, eram feitas com três tipos de corantes. O pigmento preto do jenipapo era usado para os contornos e o vermelho do urucum, para o acabamento do fundo. A cor branca vinha do polvilho de palmeira ou tabatinga, uma argila de tom claro. Também usavam cinzas de carvão nas pinturas corporais. Por superstição, durante as guerras, não usavam o urucum e pintavam o corpo inteiramente de negro, como camuflagem ou para aterrorizar o inimigo. Já nas festas de iniciação das moças só era usado o urucum.